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PROTOCOLO NO SÉCULO XXI
Gilda
fleury Meirelles
As relações governamentais, empresariais e sociais deste novo século estão baseadas nos princípios da cidadania e da civilidade, motivadas pela globalização da informação. Para a viabilização dos contatos e a finalização dos negócios, é fundamental que o relacionamento entre as pessoas e as organizações seja embasado na moral, na ética, na organização e na transparência.
Aí está a importância do protocolo, do cerimonial e da etiqueta, já reconhecida pelos empresários e administradores públicos, que se dedicam com maior eficácia e eficiência no aperfeiçoamento dos conhecimentos na arte da convivência humana.
Protocolo, cerimonial e etiqueta não têm o mesmo conceito; muito embora sejam confundidos, formam o tripé de uma das mais fortes ferramentas da comunicação - o evento.
O evento é um instrumento de aproximação, de contigüidade física entre os participantes, com a otimização da comunicação oral, escrita, visual e interpessoal.
Seres humanos não vivem isolados; têm necessidade biológica e psicológica em viver e conviver em grupos. Neste momento, consolida-se a aproximação, o acontecimento, o evento, que seleciona públicos e os aglutina, em determinado local e horário específico. É a ocasião dos encontros, dos prospects, das tratativas e da negociação. As pessoas têm e exercem o poder do diálogo, percebem que podem ter o mesmo interesse e trocam experiências e opiniões.
Entretanto, um encontro sem regras definidas é o inicio de uma história sem planejamento e com final de insucesso.
As leis do protocolo, as regras do cerimonial e as normas da etiqueta demonstram sua importância nesta hora, no qual opiniões são trocadas e negócios decididos.
A não observância dessas regras, que norteiam a civilidade e o relacionamento entre as pessoas, transformam a ocasião em uma disputa incessante pela palavra, pela primazia do lugar, pela posição, e a luta pelo poder. É o desastre total do inter-relacionamento entre pessoas e povos, e o início da vaidade, da egocentria, da falta de ética, na qual as personalidades - do mundo político e econômico - dão maior importância ao ter do que ao ser.
Tratado até uma década atrás como supérfluo, por alguns que não entendiam sua importância e necessidade como agente catalisador do resultado de um evento, o protocolo, o cerimonial e a etiqueta - transformada neste Século em postura empresarial - finalmente ocupam sua exata posição no mundo empresarial e governamental, com a aceitação e o reconhecimento merecido.
A soma das leis protocolares - que regem o acontecimento, dando a cada um de seus participantes as prerrogativas, privilégios e imunidades a que têm direito -, com as normas do cerimonial - que têm a força de transformar um evento em uma cerimônia ou uma solenidade - permite que a disputa pelo poder ceda seu lugar à disputa pelo conhecimento, pela inteligência e pela competência.
E a etiqueta? Entendida, atualmente, no mundo dos negócios como postura empresarial, gera um conjunto de regras que resultam não somente no comportamento das pessoas, mas no comportamento daqueles que influem na imagem empresarial. Agora, é a organização - seja empresarial ou governamental - que se apresenta e não mais o seu dirigente. Não se trata de forma alguma da desvalorização da pessoa como e quando ser humano, mas na sua valorização extrema, capaz de com o seu comportamento, transformar a imagem empresarial em um conceito de organização.
Do mais alto empresário, ao maior dignitário público até o mais humilde dos colaboradores já entendem e aceitam a necessidade do planejamento, da organização, do uso do protocolo, do cerimonial, da etiqueta e, sobretudo, da ética em benefício do conjunto.
Sabem que somente seguindo esse caminho permitirão que a função que exercem - a mais alta ou a mais simples - a tornem mais nobre, mais sábia, mais digna, para receber e merecer as imunidades, prerrogativas e direitos inerentes aos cargos que exercem.
O protocolo faculta esse direito ao profissional, à autoridade, ao cidadão; a postura empresarial possibilita conquistá-lo.
Esta é a conceituação para os desafios que os profissionais enfrentarão no mundo globalizado e, cada vez mais, em tempo real.
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Gilda Fleury Meirelles, é relações públicas, Doutor Honoris Causa, diretora do IBRADEP - Instituto Brasileiro de Desenvolvimento, Aperfeiçoamento e Capacitação Profissional e autora dos livros
"Protocolo e Cerimonial - Normas, Ritos e Pompa", "Eventos - Seu Negócio, Seu Sucesso" e co-autora de "O Negócio é o Seguinte - hábitos e costumes dos povos e sua influência na vida empresarial".
28/03/2006

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