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ANO
NOVO, UMA ESPERANÇA NO FUTURO
Gilda Fleury
Meirelles
Datas são pretexto para tudo. Final do
Ano, então, nem se fale. Não é uma data protocolar, mas ninguém se
esquece do réveillon,
termo oriundo do verbo réveiller, que em francês significa
"despertar".
O cerimonial do réveillon é uma
seqüência de acontecimentos, todas significativas.
Mas, o que nos marca, mesmo?
Superstições, crenças, esperança, que nos fazem tão bem e que
transformam a data em um mega evento.
Roupa branca? Pelo menos uma peça, para
dar sorte. E o dourado, sinal de dinheiro? E a prata, simbolizando a
paz?
Pode-se usar de tudo, desde que o
pensamento seja forte e positivo; é o pretexto para acreditarmos no
inacreditável; crendo que tudo que desejamos acontecerá se usarmos as
cores corretas, se comermos as sementes da romã – pode ser de uva,
também; se jogarmos flores a Iemanjá, se dermos sete pulinhos nas ondas
do mar.
E mais, ainda. É pretexto para tudo; para
emendar a semana, para “enrolar” no trabalho, para escrever mil e-mails,
dar vários telefonemas, falar com um velho amigo e com o recente,
também; sorrir para o velho e para a criança na rua, fazer aquela viagem
planejada ou improvisada; vale tudo, escrever uma lista de decisões para
o Ano Novo, que serão realizadas, sabe-se lá Deus quando, rever a lista
do ano passado acrescentando alguns itens; visitar os avós e tios
velhinhos, mimar os sobrinhos, abraçar os pais, filhos e netos, dizendo
o quanto os ama, aproveitar a presença dos que estão aqui, chorar a
ausência dos que já partiram.
É pretexto para sonhar, desejar, querer,
procurar aquele cometa no céu, namorar olhando a lua, ver as estrelas
buscando uma cadente – aí, sim, fazemos rápido um desejo que será
realizado (tenham certeza disso!); para brindar e beber champagne com
mil bolhinhas; para sonhar um pouco mais, para abraçar, para beijar,
para amar.
É um dia maior, magnífico, esse 31 de
dezembro. Poderoso, mesmo. Capaz de nos fazer acreditar em tudo, em
milagres, até.
Muito melhor que qualquer outra data,
como o dia de seu aniversário. Aliás, esse eu, pessoalmente, detesto.
Não é a perspectiva de ficar mais velha, mas o aniversário me deixa
exposta, vulnerável, esperando algo que não sei o que é e que nunca
acontece. Quando você é criança há uma expectativa, uma magia, talvez;
mas quando adultos essa aura desaparece.
31 de dezembro é muito melhor, também, do
que o Natal. Embora, este traga consigo um cerimonial típico de cada
cultura e, muitos, ou poucos, presentes, traz também muita nostalgia.
Temos saudades de algo que não sabemos o que é, e isso gera tristeza.
A passagem de ano, não. Traz esperança,
risos, choros de emoção, encontros, reuniões, festas, brilhos e fogos.
Tem até um dia de trégua na guerra, permissão para detentos celebrarem a
data com os seus. Dá-se uma trégua nas discórdias das famílias, também.
Este dia tem a capacidade de nos fazer
poderosos, capazes de ditar as regras para os próximos 365 dias,
tornando tudo possível.
É a esperança no desconhecido, no
provável e no improvável, mesmo que no dia 1º de janeiro essa magia
desapareça, dando início à batalha anual que desponta ao longe,
fazendo-nos ver que 31 de dezembro foi um dia comum.
Tão comum, com tantas incertezas, e
seguido de tantas decepções, que precisamos urgentemente do outros
réveillon, para novamente nascer e... renascer mais uma vez.
Mesmo assim, meus amigos, FELIZ ANO NOVO,
muita paz, saúde, amor e principalmente esperança, pois acredito sempre,
que é o único caminho capaz de tornar seu sonho, uma realidade.
17/12/2007

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