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Mexem-se as cadeiras na luta pelo
poder
Gilda Fleury Meirelles
Analisando a disputa pelo cargo de Presidente da República não
posso deixar de lembrar do que afirma o pesquisador francês Pierre
Lascoumes sobre a importância do protocolo. Diz ele que “sem o
protocolo, todas as recepções oficiais e ocasiões de encontro entre
personalidades políticas, culturais, econômicas – que são ou que
acreditam ser – seriam ocasiões de disputas incessantes”.
É o que já começamos a ver – a luta nua e crua pela razão única e
exclusiva da disputa pelo poder na qual as regras de postura, boas
maneiras, etiqueta e comportamento são totalmente esquecidas. E, mais
grave ainda, nem se sabe ao certo que são realmente os candidatos.
Se os comícios e outras solenidades que participam – muitas vezes
até ilegalmente, contra as leis eleitorais – fossem norteados pelo
planejamento básico da organização de eventos e implantados com as leis
do protocolo, o resultado final seria outro; além de atingir o público
estratégico, o objetivo do candidato ao cargo público seria alcançado,
com mensagem captada pelo receptor.
Entretanto, observando o comportamento dos candidatos e
pré-candidatos, não resta dúvida de que todos estão usufruindo das
prerrogativas e privilégios inerentes a suas futuras ou prováveis
funções – tratamento diferenciado, lugares de destaque, precedência.
Estão à frente e diante de todos, tentando de uma forma ou de
outra, demonstrarem ou até provarem que estão aptos a ocuparem os cargos
para os quais já se consideram vencedores e escolhidos pelo povo no mês
de outubro. Será?
Sinto que, pelo menos neste momento, eles não estão nada
preocupados com a imagem que passam aos eleitores. Muito pelo contrário.
Por meio da força das palavras, de gestos agressivos, de acusações
muitas vezes infundadas, procuram marcar presença e derrotar o
adversário.
Daqui a alguns meses mudarão sua postura, pois perceberão que falta
o principal – um conceito junto ao público alvo. Aí, exigirão de seus
assessores, que façam um planejamento emergencial de relações públicas,
voltado para situação de crise, objetivando criar e formar o conceito de
seu governo, esquecido durante a luta pela conquista do poder. Desse
conceito, vão querer gerar uma imagem positiva, que deverá ser divulgada
e difundida entre os vários segmentos da sociedade para que os números
das pesquisas de opinião se mantenham em um patamar aceitável.
Não seria mais fácil ter essa visão neste momento, que é o início
da campanha?
Será que não param um minuto sequer para analisar que as
estratégias, diante das câmeras, estão inadequadas? O marketing político
“rola e jorra” em todos os atos – o visual foi recriado, as frases
(quando o controle emocional permite) montadas, os programas causam
impacto. Será que o povo quer impacto ou propostas?
E a política de relações públicas, a atividade de duas mãos que
aproxima um ser humano de seu público alvo? Sinceramente, relegada ao
último plano. Esqueceram-se, simplesmente, que no mundo atual uma pessoa
depende da outra, um profissional não sobrevive sem uma mensagem, uma
empresa não permanece no mercado sem se comunicar com outra, muitas
vezes do outro lado do mundo – é a internacionalização, o relacionamento
entre os povos e culturas.
Definitivamente, a política de relações públicas não faz parte do
programa e do mundo dos candidatos.
O que assisto e ouço, lembra-me uma frase de minha tia avó, Tia
Isis, muito querida e sábia com seus 94 anos, que até hoje vive em nossa
terra, Santa Rita do Passa Quatro. Disse ela, “Gilda, só há disputa e só
se briga por barra de ouro, barra de terra e barra de saia”.
De acordo; agora entendemos a briga dos candidatos – talvez entre
as três barras não disputem a barra de saia, mas em seu lugar podemos
colocar a barra do poder.
Tia Isis nunca ouviu falar de protocolo, cerimonial, lugares ou
posições diferenciadas; ela somente conhece o ser humano e sabe que em
certas situações as regras se perdem.
25/05/2010

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