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O DESEMPREGO NA AMÉRICA LATINA
Mauro lima Wu
O desemprego não é uma decorrência de recessões periódicas e localizadas da economia, como aconteceu em 1929 com a quebra da Bolsa de Nova York. É um processo persistente e de difícil combate, sem que haja mudanças estruturais na economia de cada país.
Com o fim da União Soviética e do bloco socialista no início dos anos 90, a globalização da economia mundial se acentuou. As novas tecnologias alteraram de forma substancial o sistema produtivo. A automação reduziu custos e eliminou postos de trabalho, com demissões na indústria e de trabalhadores menos qualificados. Começava a era do trabalho informal.
Em 2003, a OIT – Organização Internacional do Trabalho estimava em 250 milhões de desempregados no mundo, representando 10% da massa de trabalhadores e a América Latina representava 11,1% desse total, ou seja, 27,7 milhões de desempregados.
Na primeira semana de dezembro, em Lima, a diretoria regional da OIT para a América Latina e Caribe divulgou o Panorama Laboral 2004 que analisa o mercado de trabalho latino-americano. O relatório registra queda da taxa de desemprego na região de 11,1% em 2003, para 10,5% até setembro e projeção para fechar 2004 em 10,4%.
Apesar dessa pequena redução da taxa de desemprego, cerca de 20 milhões de trabalhadores latino-americanos continuarão desempregados em 2005. Dos onze países analisados pelo Panorama Laboral 2004, representando 95% do PIB da América Latina, o desemprego caiu na Argentina, Brasil, Colômbia, El Salvador, Uruguai e Venezuela. Ficou estável na Costa Rica e cresceu no Chile, Equador, México e Peru.
Além de registrar esses índices, o estudo revela a preocupação da OIT com o crescimento do trabalho informal, o corte dos benefícios da previdência social, a queda do nível da qualidade do emprego e desemprego crescente entre as mulheres e os jovens.
Apesar da recuperação econômica registrada em alguns países, a retomada do crescimento ainda não se refletiu para uma redução maior e mais rápida do número de desempregados na América Latina.
É preciso fortalecer os blocos econômicos – Mercosul, Comunidade Andina e Caricom – para intensificar as relações comerciais e culturais, reduzir as desigualdades econômicas e sociais, estabelecer políticas de desenvolvimento sustentável, aumentar a competitividade e o poder de barganha dos blocos regionais sem, contudo, perder a soberania de cada país.
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Mauro Lima Wu, jornalista, consultor de marketing político e diretor do
IBRADEP.
28/12/2004

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