ARTIGOS

  A FOME NO MUNDO

Mauro lima Wu

Em pleno século XXI e na era da globalização a fome, infelizmente, ainda é o maior flagelo da humanidade. Relatório do Fundo das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), revela que existem 852 milhões de famintos no mundo. São pessoas que não têm o que comer, diariamente, a quantidade mínima de 2.700 calorias necessárias ao desenvolvimento físico e mental, para romper a barreira da vida vegetativa. Desse total, 6 milhões de crianças morrem por ano no planeta por não terem o que comer.

A fome não é um problema das nações pobres e subdesenvolvidas. É global. Afeta países ricos e desenvolvidos e pobres e estagnados social e economicamente. Os primeiros atingidos em menor escala e, os demais, de forma devastadora e aniquilante. O problema é de todos.

Em 1996, as nações ricas e a FAO firmaram acordo de cooperação para combater a fome, aumentar a produtividade agrícola para o consumo interno até 2015 e, reduzir em 50% os níveis da fome no mundo. Desde então, vinte milhões de pessoas engrossam a fila dos famintos. São 200 mil pessoas/ano, totalizando no período 1996/2006 mais 2 milhões de pessoas na fila da fome. Notadamente na África.

Em alguns países africanos, de cada quatro habitantes somente um tem comida suficiente. Alguns dirão é a falta de produção e produtividade na agricultura interna e de subsistência. Ledo engano. É uma problemática complexa, com variáveis que fogem ao controle e a vontade dos homens e, inúmeros fatores são provocados pelo próprio homem.

São as mudanças climáticas, o crescimento das áreas desérticas , o desmatamento desenfreado, a exploração incontrolável dos recursos naturais, o desequilíbrio do ecossistema, a falta de planejamento familiar responsável pelo crescimento populacional desordenado, a falta de políticas públicas em educação, saúde, saneamento, infra-estrutura, produção agrícola em qualidade e em quantidade para atender a imensa legião de famintos e a corrupção governamental.

A fome não escolhe raça, etnia, localização geográfica e posição econômica. È um flagelo que atinge e preocupa todas as nações. O continente africano é o mais atingido. Em alguns países a relação de famintos x população chega a 75%. È o caso da Eritréia, com 4,4 milhões de habitantes, 75% não tem o que comer. Da população da Tanzânia de 38,3 milhões, 44% são famintos; o Zimbaúbe e a Zâmbia com 13 milhões de habitantes cada, 47% e 46%, respectivamente é o índice de famintos.

Na China Continental, 12% da população – 156 milhões de chineses, quase a população do Brasil – não tem o que comer. Nos Estados Unidos, o relatório de 2005 da ONG Second Harbest (Segunda Colheita), afirma que alimentou 25 milhões de norte-americanos, 12% da população, dos quais 9 milhões de crianças e 3 milhões de idosos.

Na América do Sul a situação não é diferente. No Brasil, conforme dados oficiais, 13 milhões de brasileiros não tem acesso (olha o eufemismo) regular a comida. O relatório da FAO de 2004, registra que 4% da população chilena tem fome. A Argentina mais da metade da população vive abaixo da linha de pobreza. A Venezuela, o quinto maior produtor mundial de petróleo, cerca de 70% dos venezuelanos vivem abaixo da linha de pobreza e sob o espectro da fome.

A situação de Cuba dispensa comentários. O povo cubano vive sob o tacão da ditadura e os cubanos são privados das mínimas necessidades básicas, inclusive comida.

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Mauro Lima Wu – jornalista e diretor do IBRADEP- Instituto Brasileiro de Desenvolvimento da Comunicação, Capacitação Profissional e Empresarial.


31/01/2007