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A importância da postura no mundo globalizado
06/07/2010 | Gilda Fleury Meirelles

Há pessoas incapazes de falar em tom civilizado. Fiz uma viagem de avião, muito longa, e conheci todos os problemas das duas amigas sentadas no banco de trás. Relacionamento com os pais, o namorado da mãe, o próprio “ficante” e outros detalhes sobre os quais não tinha o menor interesse. Quando o assunto esquentava, uma boa gargalhada acordava quem tenta cochilar.

Outro dia o problema foi no elevador, onde uma senhora conversava ao celular. Todos os passageiros ficaram cientes de sua briga com a filha, da vizinha que deu em cima de seu marido, da receita do filet..... O celular virou uma praga; e o Nextel, então? Tornou-se normal expor a vida íntima em voz alta na frente de qualquer um. E eu só desceria no vigésimo andar! Constrangida, fingia não ouvir. Foi um alívio descer. O pior é que o celular é essencial à vida moderna; não dá para viver sem ele. Mas daí a expor sua vida... convenhamos.

Em certos restaurantes, jantar fora virou um problema, também. Quando não é a música alta, mas tão alta, que não ouvimos nosso acompanhante, são os clientes ao lado, contando fatos e fofocas; pior são as fofocas que logo se tornam boatos. Problemas da má comunicação. As pessoas vão aos restaurantes para se divertir e não existe motivo para obrigá-las a diminuir o tom da voz. O ideal é ouvir quem está na sua frente, jamais o cliente do outro lado do salão, mas o que fazer?

Ainda, os restaurantes. Quem já não se sentou ao lado de mesas com crianças? E olhe que gosto de crianças; tenho filhos e netos. Outro dia, sentei com meu marido em uma mesa e ao lado dois anjinhos, loirinhos, olhinhos azuis, tão lindos. Sorri para eles e... que arrependimento! Aos berros, o menorzinho gritou:

- Mãe, a moça aí fez careta para mim! E começou a chorar bem alto. Só tentei sorrir e tive que agüentar um olhar fulminante da mamãe.

Logo as crianças estavam donas dos pais; berravam, pediam de tudo, exigiam. E os pais sorriam. Um deles aproveitou o momento do sorriso paternal e jogou um “sapatinho” (era um tênis) na nossa mesa. Logicamente, caiu sobre os pratos, como o pão com manteiga que cai sempre virado para baixo (ainda preciso descobrir o porquê). Os pais agiam como se todo o restaurante fosse obrigado a suportá-los. No máximo, a mãe pedia em voz tímida: - Quietinho! E a criança, aos gritos: - Mas eu quero, eu quero!

Em cinemas e teatros, então, nem se fale. E quando os celulares tocam durante a peça? Não adiantam pedidos para que os aparelhos sejam desligados. Nos cinemas, os comentários sobre os filmes são terríveis e sempre altos. E aquela pessoa que já assistiu ao filme e resolve narrar o que vai acontecer? Cadê o bom senso? Shhhh... shhh. Não adianta. No fim, os pedidos de silêncio fazem mais ruído que as vozes. É melhor ir embora e assistir a outro filme; afinal, agora já conheço o final.

E quem fala e ri alto em velório? Não nego que os velórios, com esta vida corrida que levamos, são ocasiões nas quais encontramos amigos e parentes que não vemos há anos. Dá uma vontade de colocar o assunto em dia! Mas, para quem está arrasado pela perda é horrível. E Missa de Sétimo Dia? Outro dia, na missa do pai de um amigo, vi duas pessoas alegres por se encontrarem. – Como você está linda! Que bolsa maravilhosa! Marc Jacobs? A minha é a tradicional Hermés. Adoro e não resisto a uma nova coleção!

Encantada, fiquei sabendo dos últimos lançamentos das grandes marcas, preços, liquidações... Quando percebi, a missa tinha acabado, mas eu estava bem informada sobre moda.

Essa atitude é um desrespeito a outra pessoa, aos colegas, amigos, a quem divide com você o mesmo espaço e tenta conversar, ler, meditar, assistir a um filme ou a uma peça em paz. Cultivar o tom de voz é uma qualidade que muita gente esqueceu.

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