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Mexem-se as cadeiras na luta pelo poder
25/05/2010 | Gilda Fleury Meirelles - 25/05/2010

 Analisando a disputa pelo cargo de Presidente da República não posso deixar de lembrar do que afirma o pesquisador francês Pierre Lascoumes sobre a importância do protocolo. Diz ele que “sem o protocolo, todas as recepções oficiais e ocasiões de encontro entre personalidades políticas, culturais, econômicas – que são ou que acreditam ser – seriam ocasiões de disputas incessantes”.

É o que já começamos a ver – a luta nua e crua pela razão única e exclusiva da disputa pelo poder na qual as regras de postura, boas maneiras, etiqueta e comportamento são totalmente esquecidas. E, mais grave ainda, nem se sabe ao certo que são realmente os candidatos.

Se os comícios e outras solenidades que participam – muitas vezes até ilegalmente, contra as leis eleitorais – fossem norteados pelo planejamento básico da organização de eventos e implantados com as leis do protocolo, o resultado final seria outro; além de atingir o público estratégico, o objetivo do candidato ao cargo público seria alcançado, com mensagem captada pelo receptor.

Entretanto, observando o comportamento dos candidatos e pré-candidatos, não resta dúvida de que todos estão usufruindo das prerrogativas e privilégios inerentes a suas futuras ou prováveis funções – tratamento diferenciado, lugares de destaque, precedência.

Estão à frente e diante de todos, tentando de uma forma ou de outra, demonstrarem ou até provarem que estão aptos a ocuparem os cargos para os quais já se consideram vencedores e escolhidos pelo povo no mês de outubro. Será?

Sinto que, pelo menos neste momento, eles não estão nada preocupados com a imagem que passam aos eleitores. Muito pelo contrário. Por meio da força das palavras, de gestos agressivos, de acusações muitas vezes infundadas, procuram marcar presença e derrotar o adversário.

Daqui a alguns meses mudarão sua postura, pois perceberão que falta o principal – um conceito junto ao público alvo. Aí, exigirão de seus assessores, que façam um planejamento emergencial de relações públicas, voltado para situação de crise, objetivando criar e formar o conceito de seu governo, esquecido durante a luta pela conquista do poder. Desse conceito, vão querer gerar uma imagem positiva, que deverá ser divulgada e difundida entre os vários segmentos da sociedade para que os números das pesquisas de opinião se mantenham em um patamar aceitável.

Não seria mais fácil ter essa visão neste momento, que é o início da campanha?

Será que não param um minuto sequer para analisar que as estratégias, diante das câmeras, estão inadequadas? O marketing político “rola e jorra” em todos os atos – o visual foi recriado, as frases (quando o controle emocional permite) montadas, os programas causam impacto. Será que o povo quer impacto ou propostas?

E a política de relações públicas, a atividade de duas mãos que aproxima um ser humano de seu público alvo? Sinceramente, relegada ao último plano. Esqueceram-se, simplesmente, que no mundo atual uma pessoa depende da outra, um profissional não sobrevive sem uma mensagem, uma empresa não permanece no mercado sem se comunicar com outra, muitas vezes do outro lado do mundo – é a internacionalização, o relacionamento entre os povos e culturas.

Definitivamente, a política de relações públicas não faz parte do programa e do mundo dos candidatos.

O que assisto e ouço, lembra-me uma frase de minha tia avó, Tia Isis, muito querida e sábia com seus 94 anos, que até hoje vive em nossa terra, Santa Rita do Passa Quatro. Disse ela, “Gilda, só há disputa e só se briga por barra de ouro, barra de terra e barra de saia”.

De acordo; agora entendemos a briga dos candidatos – talvez entre as três barras não disputem a barra de saia, mas em seu lugar podemos colocar a barra do poder.

Tia Isis nunca ouviu falar de protocolo, cerimonial, lugares ou posições diferenciadas; ela somente conhece o ser humano e sabe que em certas situações as regras se perdem.

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