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Cerimonial e Protocolo
26/03/2012 | Marcus Bessa | Assessoria do Cerimonial da Presidência do TJDFT

O homem é o único animal que faz cerimônias. Não, não digo ‘fazer cerimônias’ no sentido de sermos excessivamente indiretos ou hesitantes. Quero dizer que somos a única espécie que compreende, concebe, realiza e obedece a padrões de formalidades com o objetivo de comunicar, celebrar, tornar válido ou dar importância a um ato. Ou seja, fazer Cerimonial é uma singularidade humana. Nem entre os chamados animais sociais, como os símios e os cetáceos, isso acontece. Esta exclusividade indica que o Cerimonial está ligado a uma vida social altamente desenvolvida.

Outro fato que corrobora esta idéia é o de que o Cerimonial levou tempo para surgir na forma que tem hoje. À medida que a sociedade humana evoluiu, foi ocorrendo uma crescente diferenciação entre as pessoas e seus papeis na coletividade, uma hierarquia mais segmentada, uma rede de relações sociais mais refinada. Reinos, estados, nações, órgãos, cargos e empresas foram tornando a sociedade mais complexa. Essa complexidade exigiu regras para organizar e facilitar o convívio e a interação, evitando conflitos desnecessários. A disputa pelo poder e a afirmação pessoal cederam a um conjunto de normas aceitas em comum acordo por todos. A esse conjunto de normas dá-se o nome de Protocolo, que é um dos principais elementos do Cerimonial. Assim, a barbárie e a lei do mais forte foram domesticadas e formalizadas tornando possível até mesmo o encontro e o diálogo entre inimigos.

Entretanto, os profissionais do ramo sabem que, infelizmente, não é raro que o Protocolo seja desrespeitado. Algumas autoridades abusam do poder que têm. A vaidade e os caprichos pessoais se sobrepõem à ordem, o que exige dos cerimonialistas muito jogo de cintura e paciência. Sinal da imperfeição humana, seja a ignorância ou a vaidade, ou as duas juntas, a quebra de Protocolo também é um retrocesso na evolução das relações sociais. Devemos sempre tentar evitá-la ou minimizar ao máximo seus efeitos.

O caminho do aprimoramento das relações humanas passa obrigatoriamente pela valorização do Cerimonial e respeito ao Protocolo. Pois ambos estão relacionados a uma vida social desenvolvida e são imprescindíveis à organização dos encontros e diminuição dos conflitos.

'Quebra de Protocolo'

Falamos aqui de quebra de protocolo em uma perspectiva estritamente técnica, mas esta expressão ganhou, graças à imprensa, um significado novo. É comum ouvir jornalistas dizerem que alguém ‘quebrou o protocolo’, na realidade, querem dizer que ela fez algo que estava fora do roteiro do Cerimonial. O ex-presidente Lula, por exemplo, do ponto de vista dos veículos de comunicação, já ‘quebrou o protocolo’ várias vezes. A última ocasião foi em sua despedida do Palácio do Planalto. Antes de entrar no carro que o conduziria à base aérea, Lula atravessou a rua, aproximou-se da grade de segurança, conversou e cumprimentou populares. Neste caso não se tratava nem de quebra de roteiro de Cerimonial, pois o ex-presidente não estava em uma cerimônia, muito menos de ‘quebra de protocolo’.

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